O Vaticano divulgou o tema do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que será celebrado em 2026: “Preservar vozes e rostos humanos”. A proposta, anunciada pelo Dicastério para a Comunicação, reflete a preocupação da Igreja com os impactos das novas tecnologias, especialmente da inteligência artificial, nas relações humanas e na produção de informação.
De acordo com o comunicado oficial, o objetivo é reafirmar que, apesar dos avanços tecnológicos, a comunicação continua sendo uma atividade essencialmente humana. “A comunicação pública exige julgamento humano, não apenas esquemas de dados.” O texto ressalta que ferramentas como algoritmos e IA podem ampliar o alcance da informação, mas não substituem valores fundamentais como ética, empatia e responsabilidade moral.
O Dicastério reconhece o potencial da inteligência artificial, mas também faz um alerta sobre seus impactos. Entre os principais riscos apontados estão a produção de conteúdos enganosos ou manipuladores, amplificação da desinformação, reprodução de preconceitos e estereótipos, simulação de vozes e rostos humanos, violação de privacidade. Além disso, o uso excessivo dessas tecnologias pode comprometer habilidades essenciais: pensamento crítico, criatividade e autonomia intelectual.
Outro ponto destacado é a concentração de poder nas mãos de poucas empresas que controlam sistemas de inteligência artificial. Segundo o comunicado, esse cenário pode aumentar desigualdades, centralizar decisões sobre informação e reduzir a diversidade de vozes.
O tema será refletido durante a celebração do Dia Mundial das Comunicações Sociais, tradicionalmente realizada na Festa da Ascensão do Senhor. A mensagem completa do Papa Leão XIV será publicada em 24 de janeiro de 2026, dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas.
O Dicastério defende a necessidade urgente de fortalecer a educação midiática e digital, incluindo a alfabetização em inteligência artificial. A proposta é capacitar principalmente os jovens para avaliar informações com senso crítico, utilizar tecnologias de forma consciente e preservar a liberdade de pensamento. “Como católicos, podemos e devemos contribuir para que as pessoas cresçam na liberdade de espírito.”
Em um cenário cada vez mais dominado por algoritmos, o tema escolhido pelo Vaticano propõe uma reflexão essencial, qual é o papel do ser humano na comunicação do futuro?